quarta-feira, 14 de maio de 2008

Tango, família e amor

“Filmes europeus são monótonos.” Engana-se quem generaliza. “Tango de Rashevski” é um exemplo capaz de derrubar essa teoria. Assuntos como morte, casamento, relação em família e religiões distintas – senão opostas - estão no filme. São 100min de uma gostosa história, com o charme da língua francesa e pitadas picantes à moda do mais do que característico estilo europeu de produzir cinema.

Idosos, adultos e jovens convivem na família judia Rashevski. Com a morte da matriarca Rosa, todos ficam perdidos, buscando entender quem realmente são. As várias e diferentes personagens dão ritmo ao longa-metragem. O tango as embala, mas na medida certa. O filme passa longe de vir a se transformar em um musical.

Veja o trailer no YouTube.


Os extremos da religião são colocados em dúvida. Judeus e muçulmanos participam da trama, mostrando vários lados da religiosidade e provando como o homem é mutante com relação ao assunto.

No entanto, não se trata de um filme sobre religião. É sim uma historia romântica que aborda o relacionamento em família, mostrando a personalidade carismática das personagens, suas mudanças e sentimentos, assim nos fazendo refletir sobre as ligações afetivas que construímos ao longo da vida.

Sem efeitos especiais e com enredo envolvente e criativo, “Tango de Rashevski” é uma boa escolha para o final de semana.

domingo, 2 de dezembro de 2007

A Estranha Perfeita

Senti-me como a estranha errada assistindo a esse filme.
Alguns espectadores acham que um filme é inteligente por ter um desfecho inesperado e esquisito, se analisado com o resto da história. Causa indignação perceber que todo o roteiro te levou a acreditar em um final, mas que o visto é outra coisa.
O final de certa forma é absurdo, por não condizer com o que a trama mostrou. No entanto, a pessoa acaba por desculpar o desfecho, alegando para si mesma que isso faz parte da complexidade do filme. E que ser complexo é sinônimo de ser inteligente.
O espectador se sente enrolado, passado para trás. Se o clichê e o previsível são intoleráveis por muitos, o que dizer do surpreendente? Enjoativo. Ao menos os filmes enquadrados no primeiro caso são capazes de te fazer rir no final de semana, enquanto os como "A Estranha Perfeita" deixam uma pulga atrás da orelha, e uma sensação, parafraseando os norte-americanos, de "did I miss something here?"*

* Eu perdi algo por aqui? - Tem algo aqui que eu não sei/não entendi?